agosto, mês de regressar

Agosto é, para muitos portugueses, mês de regressar a Portugal. Depois de um ano de trabalho, sem grande tempo para passeios ou descansos, é tempo de regressar para gozar de umas merecidas férias.

A par deste regresso, há como que uma revolta generalizada, expressa por comentários e imagens, nas redes sociais e noutros fóruns, sobre estes portugueses e sobre os esteriótipos que nós, que ficámos, criámos sobre eles.

Mas todos nós conhecemos alguém, um familiar, um amigo, um conhecido, pertencente a este grupo de portugueses que, em determinado momento, deixou o seu país, os seus amigos e a sua família, para procurar uma oportunidade diferente.

Estas pessoas tiveram a coragem que nos falta tantas vezes, em tantos momentos da nossa vida.

Há quem lhes aponte um exibicionismo pelo uso abusivo da língua do país que os acolheu, porque tendem a deixar escapar uma ou outra palavra nessa língua. Mas pensemos nas vezes em que, por exemplo, viajámos até Espanha e lá permanecemos três ou quatro dias… regressamos a Portugal a “cantar”, embalados pela forma de hablar de nuestros hermanos. Será que não podemos desculpar esta falha a quem se vê obrigado a expressar, durante o ano inteiro, noutra língua?

Há, por outro lado, quem aponte um exibicionismo pela utilização de bons automóveis. Ora, façamos o exercício de imaginar uma viagem de 10, 15, 20 ou mais horas, apenas com pequenas paragens para abastecer o carro e o estômago, dentro de um carro pequeno, pouco confortável e pouco económico. Não será esta, por si só, uma justificação válida para o crime que é usar dos próprios rendimentos para a aquisição de um bom automóvel?

Há quem ridicularize a utilização abusiva das bandeiras nacionais, das camisolas da seleção nacional e dos símbolos da Federação Portuguesa de Futebol, que vêm colados no pára-choques dos carros… mas, caraças, às vezes, falta-nos a nós, que ficamos, um bocadinho deste orgulho, desta falta de vergonha por empunhar, quer concordemos ou não, estes que também são símbolos de Portugal e da nossa cultura.

Há quem aponte, por fim, por partirem com os carros cheios de produtos nacionais, aparentando quase que um receio de que os mesmos se acabem. Mas pensemos antes que, ao levarem estes produtos, levam também um bocadinho de Portugal, dos amigos e da família que ficam, o que lhes permite estar, durante mais um ano, longe do seu país, mas com o estômago e o coração um pouco mais perto daqueles que amam.

Foto em destaque ©Aurore Alifanti

marcamos encontro?

O ponto d’encontro. nasce do desejo de partilhar um pouco daquilo que eu sou, a minha opinião, o que sinto e o que gosto.

Tenho 25 anos, sou farmacêutico, apaixonado pela música e pela arte, atento ao que me rodeia e, acima de tudo, crente que podemos, com pequenos gestos, tornar o mundo, ou pelo menos o nosso mundo, num lugar bem melhor.

Este é, assim, um lugar de encontro com o meu pensamento, livre e independente, onde, de hoje em diante, poderão encontrar-me.

Marcamos encontro?